segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

05 - ESTA LIRA DE MIM!... * Ausência de mim


Ai, quantas vezes, e me cansa tanto!,
eu dou comigo a perguntar por mim!...
Que estranhas dúvidas em mim levanto?
Que mais importa? O se ou por que vim?

No chão, a sombra que desenho, errando,
num sortilégio, desconstrói o nexo.
Difusa sombra, desafia o quando
e o como além do meu estar perplexo!...

De sul, a brisa acaricia, mansa.
A natureza, adormecida, sonha...
Apenas eu, nesta evasão que cansa,
cansado espero o que o devir disponha.

Ah, e depois de definido o rumo,
que eu arda todo e me desfaça em fumo!


José-Augusto de Carvalho
3 de Agosto de 2010
Viana*Évora*Portugal

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

35 - CANTO REVELADO * Do desespero...

.
Quando o desespero
jazia, resignado, nas masmorras,
incapaz de entrever as auroras boreais...
.
...o poeta castrado chorava:
O meu cantar é tão doído, é um soluço
que embarga a minha voz!...
.
...o aprendiz de sábio afirmava,
do cimo da sua ignorância laureada,
que sempre houve pobres e ricos...
.
...os senhores do tempo e do espaço
(por detrás dos mastins,
que noite e dia vigiavam, implacáveis)
embruteciam-se em báquicas orgias...
desafiavam fantasias pantagruélicas...
insultavam a decência e a inteligência
em obscenas irracionalidades...
.
...o verbo do feitiço
imolava as presas em aras de sangue,
purificando o rebanho em piras incendiadas...
proclamava a diferença incensada
do poder e da servidão...
garantia a chave miraculosa que haveria
de abrir os portões dum mundo onírico
aos humilhados e ofendidos
mas só após a morte...
.
...os predadores e as presas,
sem poetas castrados,
sem sábios aprendizes,
sem senhores nem mastins,
sem feitiço nem feiticeiros,
conjugavam o verbo existir na harmonia
natural e bastante da transitoriedade
do insondável mistério do ser e do não-ser...
.
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 18 de Maio de 1997.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

12 - GABRIEL VIVE! * Os dias inúteis



São os campos imensos,
sem suor e sem pão!
São os músculos tensos,
tensos, tensos em vão!

São tão rudes e densos
estes campos de estevas!
São tão negros os lenços
de miséria e de trevas!

São inúteis os dias,
mortos de desencanto,
a gritar agonias
em sepulcros de espanto!

Amargurada terra,
quem de ti te desterra?


José-Augusto de Carvalho
30 de Abril de 1998.
Viana * Évora * Portugal 

12 - GABRIEL VIVE! * O elogio do homem



Deserto de silêncio que não venço.
Areias de miragens e desdém.
O verbo de incerteza e dor suspenso
da força da vontade que não vem.

Da força de vontade que não minha,
que este suor me empapa inteiro o rosto...
A minha parte dou da nossa vinha
e as uvas que pisei e já são mosto...

Até ao fim será este o caminho.
A dúvida recuso se perpassa
e tenta me toldar o racicocínio.

Que cheiro a vinho novo! Santo vinho!
Homem, ergue bem alto a tua taça
e envolve a terra e o céu no teu fascínio!


José-Augusto de Carvalho
27 de Janeiro de 1997.
Viana * Évora * Portugal

35 - CANTO REVELADO * Natal




Foi cumprindo calendário
que chegaste à hora certa.
É o verbo milenário
presente nesta hora incerta.

É mais um aniversário
que na esperança desperta
este marasmo diário
da tua igreja deserta.

Igreja que é assembleia
e não o templo onde outrora
uivavam em alcateia
os doutores de outroragora.

Da treva ainda na cruz,
Agnus dei -- instante luz!


José-Augusto de Carvalho
Dezembro de 1998.
Viana * Évora * Portugal

36 - TEMPO DE SORTILÉGIO * Retrato



Aos ombros carregando um mundo de aflição,
bateste à minha porta, exposto e tartamudo.
Olhei-te e vi em ti o rosto magro e ossudo
de quem, sem mais poder, cedia à provação.

Na tua timidez, olhava-me o menino
querendo ser, sem ser, o homem que queria...
Que redutor padrão de angústias assumia
essa aflição que em ti fervia em desatino!

Abri-te a porta e a luz vestiu-te com seu manto.
Lá fora, a noite fria em negra intensidade.
Vencido o desamparo, ousaste a realidade,
e, viva, em ti, brotou a vida, em novo canto.

E viste-te crescer. E adulto, de repente,
partiste ao teu encontro, à luz do sol nascente!...


José-Augusto de Carvalho
17 de Agosto de 1998.
11 de Janeiro de 20011.
Viana *Évora*Portugal

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

12 - GABRIEL VIVE! * Estes campos...



São estes campos doídos,
sempre a dizerem que não
aos nossos braços caídos
por sem trabalho nem pão...

É este arame farpado
a prender o nosso chão,
como se fosse um danado
campo de concentração...

É esta dor ferrugenta
minando os nossos arados...
É esta terra sedenta
dos trigais já condenados...

É esta angústia de ser,
morrendo sem se render...


José-Augusto de Carvalho
22 de Abril de 1998.
Viana*Évora*Portugal

domingo, 9 de janeiro de 2011

35 - CANTO REVELADO * Urgência



O relógio parado.
Há um tempo de assombros
neste fardo pesado
esmagando-me os ombros.

Quando um número primo,
do comando, a pantalha enrubesce
e, no fundo do pântano, o limo
é notícia e floresce

É urgente o momento total,
situando um presente sem muros
e um jogral
prevenindo os futuros...

É urgente
sermos gente!



José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 8 de Maio de 1997.

05 - ESTA LIRA DE MIM!... * Fardo


Carrego a minha dívida de mim,
cumprindo a pena imposta até ao fim.

Da treva ou do mistério donde vim
à treva ou ao mistério que me espera,
espaço e tempo -- a sombra de Caim,
intemporal, persiste e dilacera...

E tudo é feio e gélido e ruim.
O inútil acontece e desespera.
Morreram os canteiros no jardim,
em maldição estéril e severa.

Que espírito ou desígnio de Eloim,
por sobre os ares paira e o sonho gera?
O sonho ensanguentado de Caim,
que nem remorso ou prece regenera...


José-Augusto de Carvalho
Moita (B.B.), 7 de Julho de 1995.

13 - FANTASMAS DA MEMÓRIA * Vocês vieram depois...


Vocês vieram depois
das trevas da noite densa
e encaram com displicência
os medos da nossa insónia...

Vocês vieram depois
dos tempos das grandes fomes,
quando nos negaram ter
nosso tempo de meninos...

Vocês vieram depois
do tempo da delação,
das masmorras e torturas
de todos os tarrafais...

Vocês vieram depois
do tempo náusea e vergonha
em que tínhamos vergonha
do medo que sufocava...

Vocês vieram depois
e nem sequer lhes ocorre
que nós arriscámos tudo
para erguer este depois...

Vocês vieram depois
e não nos devem nada...


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 3 de Setembro de 1996.

34 - CLAVE DE SUL * Fim de tarde

Alentejo em flor + Fonte: Internet


Os velhos cofiam as barbas nevadas pelos anos.
Da encosta do cerro, avista-se a limpa.
Os raros trigais ondulam ao sabor da brisa,
acenando o pão às bocas ansiosas
que esperam pelo milagre de Maio,
marcado no calendário dos homens
como a certeza duna promessa sempre cumprida.



Os velhos, com os olhos cansados
de olharem o passar gelado dos invernos,
fumam, em silêncio,
em cachimbos de cana,
um tabaco ruim e fedorento,
e cospem, para o chão poeirento,
grandes quantidades de saliva
impregnada de nicotina e de paciência.



Os velhos acariciam maquinalmente as crianças
que brincam no chão poeirento,
alheadas dos pensamentos que engelham
os rostos taciturnos e tisnados dos velhos.



A tarde está no fim.
O céu, incendiado, a poente, regista o adeus do sol.
A sombra, morna, abraça a limpa e o cerro.
Os velhos de barbas nevadas pelos anos
olham sempre em frente e em silêncio.
E a escuridão cai como uma cegueira irremediável.




José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 5 de Maio de 1996.

35 - CANTO REVELADO * Desgosto

Goya * Fonte: Internet

Com o coração a sangrar em Timor

É este circo global,
onde os monstros se amontoam
e onde até os répteis voam,
em trágico carnaval...

É esta arena sangrenta
de presas e predadores,
donde a justeza se ausenta,
onde só florescem dores...

É esta angústia pungente,
onde a morte omnipresente
é o crime sem perdão...

É este pântano todo
afogando-se no lodo
de agonia e de aflição...


José-Augusto de Carvalho
7 de Setembro de 1999.
Viana*Évora*Portugal

05 - ESTA LIRA DE MIM!... * O verbo incómodo


As vítimas do tempo e o tempo dos algozes.
Incómodo é, no tempo, o tempo em desafio.
Em cada pôr de sol, cinzento, insone e frio,
deslumbram-se, a sangrar, brutais apoteoses.

O tempo que se quer, no verbo o seu agir.
Eu sou, tu és, ele é, nós somos o sujeito.
O medo arranca, a frio, o coração do peito
e o corpo inerme cai, doendo, a sucumbir.

O tempo convenção, exacto e por medida.
O tudo e o nada, o perto e o longe, aquém e além.
O amor e a dor, a paz e a guerra, o mal e o bem.
No cativeiro jaz a terra prometida.

O tempo já cumprido e o tempo por cumprir.
Sem Judas nem Cains, o sonho a resistir.


José-Augusto de Carvalho
4 de Junho de 1997.
Viana*Évora*Portugal

sábado, 8 de janeiro de 2011

12 - GABRIEL VIVE! * Tenacidade



Tenaz
é este tempo sempre em busca de mudança,
correndo decidido e que nos leva e traz
o sonho que se esvai e se ergue da esperança...

Tenaz
é este tempo ousando a força da vontade
em tempos dividido, inteiro e sem idade,
escombros do que foi, no barro em que se faz...

Tenaz
é este tempo, a flor adivinhando o fruto,
a polpa, o sumo, o aroma, o ser que se desfaz
e se refaz semente em auras de absoluto...

Tenaz
é este tempo, a guerra em parto, vida e paz!


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 19 de Dezembro de 1996.

05 - ESTA LIRA DE MIM!... * Espaço

Para Vasco Massapina

O espaço é o desafio.
A mão, trémula e suspensa,
é, no gesto, a forma densa
a esventrar o vazio.

Hirtos e determinados,
o esquadro, a régua, o compasso
ansiando pelo traço
de esboços adivinhados...

A mente, num turbilhão,
aguardando o golpe de asa,
cresce, avassala e abrasa
e encandeia, num clarão.

O sonho o milagre tece...
Céus, e o homem acontece!
*
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 22 de Dezembro de 1996

05 - ESTA LIRA DE MIM!... * Censura

Casimiro de Abreu
Capivary, 4 de janeiro de 1839.
Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860.
*
Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
meu Deus, não seja já!

***
Censura
*
Senhor, não me deixaste
morrer na flor dos anos...
...e assim me condenaste
à sanha dos tiranos!
/
Os ombros me vergaste
com o peso dos danos...
...e assim me abandonaste,
sem fé, aos desenganos!
/
Quando o barro moldaste,
os meus sonhos criaste
divinos e profanos.
/
Uniste a flor à haste
que depois desfolhaste
com a ira dos humanos.
*
José-Augusto de Carvalho
(In «vivo e desnudo», Editorial Escritor, Lisboa, 1996)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

12 - GABRIEL VIVE! * Impunidade



A angústia dos arquivos, o vazio...
Doendo um tempo sórdido  e sombrio...

Escrevo os gritos nas paredes frias
e a minha voz ecoa pelas ruas...
Inertes, no silêncio, as sombras nuas
um medo sacralizam, de agonias...

Profana, impura e vil é esta argila,
moldada p'la distância imersa em mitos...
Quem dorme o pesadelo dos proscritos
e bebe o fel que a negação destila?

Em autos de má fé, os meus tiranos
a cinza me reduzem com seus medos...
E grito e morro em dor e desenganos...
E impunes, nos arquivos, os segredos...


José-Augusto de Carvalho
11 de Fevereiro de 1997.
Viana*Évora*Portugal

11 - TUPHY, SEMPRE! * Ausência

*
Quando Amine trazia o perfume dos dias,
que esplendor do devir em abril florescia!
*
Era abril-primavera ensinando a cantiga
da esperança a cumprir a perene oração...
Era o tempo de ser a promessa da espiga
que madura será a fartura do pão...
*
Neste tempo de agora, esfumou-se o perfume.
Só o vento suão enternece o vazio,
na vigília do tempo, em golfadas de lume
e lampejos de luz aquecendo este frio.
*
E eu porfio doendo a saudade dos dias,
nesta ausência de Amine em auroras de espanto!
E eu porfio no tempo em que Abril florescias,
num poema de amor que entre lágrimas canto...
*
*
Tuphy Mass
Al Andalus, 3/8/2010.

12 - GABRIEL VIVE! * Este tempo!



Este tempo de estar, actor que representa
não a vontade extravasando impulsos,
mas sempre a rigidez, que lhe algemando os pulsos,
dói tanto em seu doer, numa tortura lenta.

As regras a cumprir, perversas e castrantes.
Dos outros, o querer -- a norma imperativa.
E tudo se reduz à condição cativa
do grão a germinar em haustos hesitantes.

A terra exausta é dura e débil a promessa.
Extensos, os adis erguidos na recusa.
E a fome espera o pão sagrado que a seduza,
nos braços que hão-de haver a vida que começa.

E o tempo, noutro tempo, em ânsia transmutado,
num deslumbrante sol que raia deslumbrado!


José-Augusto de Carvalho
24 de Outubro de 1998.
Viana*Évora*Portugal

12 - GABRIEL VIVE! * Romagem


De tribo em tribo, vou, humilde peregrino.
E tudo em derredor são sombras e armadilhas.
Um bobo impertinente exibe o desatino,
a turba exulta e faz do reles maravilhas...

Medíocre insecto arenga, em sórdido arreganho.
Casaca a condizer, as asas coloridas.
Asneiras que lhe inveja o néscio em seu tamanho.
E aqui não há ninguém que venda insecticidas!...

Humilde sou e humilde eu quero assim manter-me.
Traído o seu intento, verbo foi em vão.
Não é inteligente equiparar-me ao verme.
Humilde, sim, serei, mas sem humilhação.

Paguei o preço até ao último centavo.
Ingénuo, e em dor, senti do fel o amargo travo...


José-Augusto de Carvalho
8 de Junho de 1996.
Viana * Évora * Portugal

12 - GABRIEL VIVE! * Outroragora



Naquele tempo, os senhores
ainda eram só pastores.

Sofriam o tempo agreste,
lado a lado, com os servos,
e olhavam os seus acervos
como um bênção celeste.

Já, nesse tempo, a riqueza
era um privilégio raro
e afrontava a natureza
com loas ao desamparo;

já, então, o verbo erguia,
em armadilhas e ardis,
o poder que anestesia
os rebanhos nos redis.


José-Augusto de Carvalho
25 de Outubro de 1998.
Viana*Évora*Portugal

05 - ESTA LIRA DE MIM!... * Ansiedade

O baloiço balança
para trás, para a frente,
em viagem contente
da contente criança.

Devagar, mais depressa,
delirando, o petiz
tem pressa, muita pressa
de sentir-se feliz.

Quer ter asas, voar,
subir ao céu, subir
o quanto lhe permite

o doido baloiçar...
Sem medo de cair,
quer ganhar o limite!

José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 5 de Setembro de 1996.

05 - ESTA LIRA DE MIM!... * Florbela


Li o teu Livro de Mágoas
com desgosto e contrição
e hoje as tuas mágoas trago-as
dentro do meu coração.

Porque as mágoas são iguais,
como os dias que vivemos:
demo-nos sempre de mais,
sempre a tudo nos devemos...

Quem te quis soror saudade,
supôs-te imersa num choro,
do passado peregrina...

Eu quero-te claridade,
teu estro cantado em coro
na voz da nossa campina.


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 10 de Setembro de 1996.

05 - ESTA LIRA DE MIM!... * Memória


Matei as pernas e os braços
em caminhos e trabalhos;
cortei laços, atei laços,
desbravei na vida atalhos.

Matei os braços e as pernas;
passei fome, sede e frio;
sonhei as doçuras ternas,
em horas de desvario.

Nas noites de escuro intenso,
que é quando o medo alucina,
embriaguei-me de incenso
e vi-te mulher menina!

Um dia vieste, enfim,
e a luz desceu sobre mim!...


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 15 de Outubro de 1996.

12 - GABRIEL VIVE! * Desolação



Só as árvores nuas
a tremerem de frio
no vazio
destas ruas.

Uma folha esvoaça.
Um fugaz movimento
ou doído lamento
ante a morte que passa...

Sob o céu enublado,
só a aragem suspira
resistindo à mentira
dum sossego assombrado.

Na parede, cansado,
o relógio parado...


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 7 de Setembro de 1996.

12 - GABRIEL VIVE! * Exortação



Há um tempo cumprido.
Há um tempo a cumprir.
Um minuto perdido~
é andar e não ir...

Na boca que receia,
um grito sufocado
no presente semeia
um futuro adiado.

Quem ousa a não palavra
da renúncia grosseira
esmagando o clarão?

Num arado que lavra,
a esperança inteira
do milagre do pão!


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 13 de Maio de 1996.
Viana, 6 de Janeiro de 2011.

12 - GABRIEL VIVE! * Alentejo



Alentejo que não tinhas
sombra senão a do céu,
como outras coisas não tinhas,
q1ue tens tu que seja teu?

A desilusão de um nome
e de filhos naturais,
uma bandeira de fome
e um céu distante de mais....

Mas na desgraça cantavas
um lamento em desvario,
num coro de condenados...

Levava o vento as palavras,
gemendo, num calafrio,
os assombros dos montados...


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 25 de Agosto de 1996